Indústria nacional deve ter foco na eficiência tecnológica

O agravamento da taxa na importação de amêndoas de caju, introduzido recentemente pelo governo indiano para proteger o seu mercado doméstico, está a criar um desconforto na indústria moçambicana. Com efeito, desde 2 de Julho de 2019 que a Índia alterou a sobre-taxa de importação da amêndoa de 45% para 70%.

Em entrevista a “Notícias”, a Chefe da Repartição de Análise Económica e Indústria no Instituto de Fomento do Caju, IP (INCAJU,IP), Lúcia António, entende ser justa a reclamação dos industriais moçambicanos, mas lembra que anualmente são produzidas, no país, cerca de 12.000 toneladas de amêndoas, das quais 7.500 são da categoria de amêndoas inteiras, enquanto apenas 4.500 representam amêndoas partidas.

Segundo ela, em relação às amêndoas inteiras, não existe problema de mercado na Índia e o preço quotado no mercado é superior ao das amêndoas partidas.

Sendo assim, acrescenta, é importante avaliar a eficácia e eficiência dos processos tecnológicos adoptados pela indústria nacional, por forma a alavancar o rendimento das amêndoas inteiras em detrimento das amêndoas partidas, que irá resultar em maiores ganhos para o país.

Ressaltar que a Índia ocupa o primeiro lugar no ranking mundial como maior consumidor de amêndoa doa de caju, com 42% da participação de mercado, seguindo-se os EUA com 18% e Europa com 16%. Relativamente ao seu posicionamento como produtor e processador mundial, ocupa o segundo lugar no ranking mundial.

Segundo os dados avançados pelo Conselho Indiano para a Promoção da Exportação do Caju, em 2019 foram produzidas 700.000 Ton. Em contrapartida, a capacidade efectiva de processamento doméstico é de 1.600.000 Ton de castanha bruta. Com efeito, para suprir o défice interno a Índia importa anualmente cerca de 800.000 Ton. Frisar que actualmente a Índia possui 3000 unidades de processamento da castanha de cajues emprega cerca de 600.000 trabalhadores. Face ao cenário no mercado internacional, nos dois últimos anos, caracterizado pelo excedente de produção, e consequente declínio de preços da castanha de caju e da amêndoa, a India definiu como estratégias: reduzir a quantidade de matéria-prima importada, investir na agregação do valor da castanha e assegurar a empregabilidade nas unidades fabris. Assim, o agravamento da taxa na importação de amêndoas visando proteger o mercado doméstico, introduzida pelo Governo a 2 de Julho de 2019 passou de 45% para 70%. Frisar que as taxas impostas pelo Governo Indiano estão direcionadas apenas para a importação de amêndoa e não da castanha bruta.